dom casile ROMA, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).– Que contribuição pode dar a Doutrina Social da Igreja a uma cidade? Quais são as indicações desta escola? Como educar cristãos para serem também bons cidadãos?

Quem responde a estas perguntas é Dom Angelo Casile, diretor do Escritório Nacional para os Problemas Sociais e o Trabalho da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que inaugurou, em 5 de fevereiro, a Escola Diocesana para a Doutrina Social da Igreja, em Ugento, na província de Lecce (Itália).

Ao discutir o itinerário de formação sobre a Doutrina Social oferecido pela escola, o diretor do Escritório da CEI indicou três instrumentos: a Bíblia, a encíclica Caritas in Veritate e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

“Nossa tarefa primordial é evangelizar”, explica.

Por esse motivo, “é importante colher e ajudar os demais a colherem aquilo que o Evangelho tem a dizer para cada momento da existência do homem”, e não se pode “anunciar e viver o Evangelho da esperança sem fé em Deus”.

Para manter a serenidade mesmo diante de um cenário apocalíptico de crise, Dom Casile lembrou que "em meio à noite e escuridão da crise atual, não apenas econômica,  nossa tarefa como cristãos, que vivem nas cidades dos homens, é anunciar e viver o Evangelho da esperança e da confiança no Senhor, que não nos abandona jamais".

Em seguida, lembrou que Santo Agostinho, dirigindo-se aos cristãos que lamentavam o difícil momento histórico em que viviam, dizia: “Vocês dizem: os tempos são ruins; os tempos são pesados; os tempos são difíceis. Pois vivam bem, e os tempos mudarão” (Discursos, 311,8).

Por essa razão, destacou Dom Casile, “vivamos bem nossa fé a cada dia, e assim os tempos serão melhores. Vivamos bem nossa fé e nossas cidades voltarão a ter uma alma”.

Para compreender os direcionamentos contidos na encíclica, Dom Casile enfatizou que “a Caritas in Veritate nos exorta a anunciar a verdae do amor de Cristo na sociedade, a fazer brilhar a beleza do Evangelho, a fazer resplandecer, por meio da Doutrina Social, a verdade do amor de Deus por cada homem”.

Citando o Salmo 127, Dom Casile lembrou que é impossível construir a casa se o auxílio de Deus, e que por esse motivo a encíclica de Bento XVI chama a atenção para o fato de que “sem Deus o homem não sabe aonde ir”, sendo incapaz de se desenvolver com base apenas em suas próprias forças”.

Mas Deus, em Jesus Cristo, ama cada homem, e “pronuncia o maior ‘sim’ ao homem”, convidando-o a “abrir-se à vocação divina para realizar o próprio desenvolvimento” no cotidiano da vida.

Para Dom Casile, a visão do Papa Paulo VI, expressa na encíclica Populorum progressio, sobre o desenvolvimento dos povos, de 26 de março de 1967,  na qual tratava da vocação para o desenvolvimento, foi plenamente acolhida por Bento XVI, que enfatizou que “o progresso é, na sua essência, uma vocação”.

“É necessário compreender o progresso do homem – e portanto sua vocação – não apenas como um desenvolvimento de aptidões particulares, mas como desenvolvimento integral”, “promoção de cada homem e de todo o homem”, porque “Jesus, ao revelar o mistério do Pai e de seu amor, revela também o homem em sua plenitude”.

Jesus, como descreve a Gaudium et Spes, “trabalhou com mãos humanas, pensou com mente humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano”.

O diretor do escritório da CEI, por fim, afirmou que “somos chamados por Deus a responder-lhe a cada dia, a ajudar os demais a responder, a viver a caridade na verdade, a reconhecer o que é verdadeiro, a alegrar-se com o belo e gozar do que é bom”, concluiu.

Por Antonio Gaspari