padregeorge Estamos nos aproximando do Tríduo Pascal. Este é um momento de muita reflexão para todos os cristãos. Muitas pessoas, que não tem uma participação ativa na Igreja, se achegam a ela neste período. Mas, o que queremos destacar neste momento, é a profundidade do mistério que este tempo nos apresenta: a grande concretização da vocação e a missão de Jesus Cristo.

Sem sombra de dúvida o Tríduo Pascal é o ápice da vida e da missão do homem de Nazaré. Mas para isto, é necessário levar em consideração toda a vida pública de Jesus: Encarnação, encontros pessoais, milagres, curas, opções preferenciais, os chamados e etc.

Jesus, o Vocacionado por excelência nos mostra que, como vocacionados e vocacionadas do Pai, somos convidados e convidadas a viver até as últimas conseqüências a vocação e a missão que Ele nos confiou. Percebemos que ao longo da vida pública de Jesus, Ele realizou a sua missão de construir o Reinado de Deus. De fato anúncio do Reino teve em Jesus um papel primordial, pois, “é o centro e o núcleo de sua boa nova”. Os Evangelhos constantemente falam dessa missão do Messias: “(…) ele andava por cidade e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus” (Lc 8,1; 4,43)

A morte de Jesus na Cruz foi a mais sublime expressão do seu compromisso com o projeto do Reino. Não estamos querendo afirmar aqui, que Jesus buscou a morte e nem que Ele deveria morrer para se cumprir a promessa do Pai, ou a aceitou pacificamente. Sua morte de cruz foi consequência da missão, ela aconteceu desta maneira por causa da extrema liberdade de Jesus frente aos acontecimentos, como também da sua completa fidelidade à causa do Reino e dos seres humanos.

Seria mais prático e fácil para Ele, como pessoa humana, fugir de tudo isso: “afasta de mim esse cálice”. Mas confiante na missão recebida não se curvou diante dos poderosos e opressores que matam e oprimem o povo, disse: não seja feito como eu quero, e sim como tu queres (Mt 26, 39). Jesus “permaneceu fiel à sua missão de anunciar a Boa-Nova aos que se convertem. Aceita livremente a morte que se impõe por uma conjuntura histórica.”(BOFF, Leonardo. Jesus Cristo Libertador, p. 22).

Em razão de toda a conjuntura histórica e religiosa a novidade apresentada por Jesus não teve muita aceitação e diante desta negação da proposta veio de imediato o desejo daqueles que se sentiram ameaçados, de matar o autor da vida.

Pelo fato de contradizer os poderosos e opressores Jesus foi levado a morte. “os sofrimentos de Jesus tornaram sua forma histórica concreta pelo fato d’Ele ter sido ‘rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos Escribas’ (Mc 8, 31) que o entregaram aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado’ (Mt 20, 19)”.

Portanto, a morte de Jesus é um ato livre de acolhimento do projeto do Pai e solidário para com os seres humanos. Um dom de amor (1Jo3, 16) e gratuito (Jo 10,11; 15,13) ou seja, em Jesus, a “morte de cruz cumpre-se aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual ele se entrega para levantar o ser humano e salvá-lo. O amor na sua forma mais radical”. (Papa Bento XVI)

Por ter assumido concretamente a missão do Pai, Jesus possibilitou-nos participar de modo ativo da plenitude da vida, pois ele “se entregou por nós todos” (Rm 8, 32). A ressurreição de Jesus é a grande vitória da vida sobre a morte. É a concretização da certeza de que Iahweh é o Deus da vida e o quanto ele ama profundamente o ser humano. Com a ressurreição de Jesus, Deus Pai manifestou o seu amor incondicional, não permitindo “que a vida de Jesus fosse subjugada pela morte e que Jesus fosse arrancado da comunhão de Deus”.

Ao celebrar o Mistério Pascal, todos os cristãos e cristãs são chamados e chamadas a terem duas atitudes concretas. Primeiramente, assumir como veemência a luta pela vida. Tendo presente a missão de Jesus: “eu vim para que todos tenham a vida” (Jo, 10,10), somos impulsionados a defender a vida sempre, desde sua concepção até o seu declínio natural. E, em segundo lugar tendo como modelo, Jesus Cristo, somos interpelados a viver fielmente a nossa vocação e missão até as últimas consequências.

Oxalá, que a celebrar o Tríduo Pascal possamos nos renovar e ressuscitados com Cristo vivamos plenamente a nossa vocação “a serviço da vida e do amor”.

Pe. George da Silva Carneiro, SDV.